1 – Marco Antonio Rodrigues Dias: Europa, França e Brasília por Luciano Milhomem – pgs. 187 a 194 de “Memórias das Ciências da Comunicação no Brasil: Os grupos do Centro-Oeste” – Organizado por José Marques de Melo, Jorge Antonio Menna Duarte – Brasília, UniCEUB 2001.

Posted on January 16 2011 by admin

Marco Antonio Rodrigues Dias:

Europa, França e Brasília

Por Luciano Milhomem

O carioca Marco Antonio Rodrigues Dias iniciou a carreira jornalística em Minas Gerais na década de 60. depois de estudar no Instituto Francês de Imprensa, em Paris, voltou ao Brasil e, nos anos 70, ajudou a consolidar o curso de comunicação da Universidade de Brasília. Na década seguinte, ingressou na Unesco, onde se aposentou após importantes contribuições na formulação de políticas mundiais para o ensino superior.

Para o jornalista Zuenir Ventura, 1968 foi um ano que não terminou. Para o jornalista Marco Antonio Rodrigues Dias, aquele foi um ano que já havia começado. Bem antes, recém-formado e muito jovem, ele conviveu de perto com a realidade do movimento estudantil e das redações de jornais em Belo Horizonte, Minas Gerais, em plena ditadura.

Embora tenha se formado em Filosofia, em 1958, no Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio de Janeiro, o jovem carioca decidiu mudar-se para Belo Horizonte no ano seguinte e estudar Direito na Universidade Federal de Minas Gerais. Mas o jornalismo acabaria por atraí-lo mais que as aulas de lei. Assim foi que vestiu a camisa de repórter em O Diário, de Belo Horizonte, (1960) e na Última Hora, de Minas (entre 1961 e 1962). O êxito da experiência levou-o a editor de política do Correio de |Minas (entre 1962 e 1963) e do Diário de Minas (1964), à época vinculado ao Jornal do Brasil. Além de contribuir para uma série de outros jornais de menor tiragem, como Binômio e Ação popular, o jovem jornalista chegou a redator da Última Hora, em São Paulo (entre 1965 e 1966).

No famoso “Maio de 1968”, Dias estava em Paris, concluindo um curso no Instituto Francês de Imprensa e Ciência da Informação da Universidade de Paris com a dissertação “O Controle Social na Imprensa Brasileira”. Esse período, que compreende toda a década de 60, marcou-o a ponto de motivá-lo a escrever um livro inteiro somente sobre aqueles anos, ao mesmo tempo dourados e de chumbo: “O Fato e a Versão do Fato – Um Jornalista nos Anos 60”, publicado em1994.

Casado, pai de três filhos, avô de quatro netos, marco Antonio Rodrigues Dias tem hoje, aos 62 anos, muito a contar à sua extensa família e a quem mais quiser ouvi-lo. Afinal, são quarenta anos de atividades, divididos entre o exercício do jornalismo diário e os estudos de comunicação. Sobre esses primeiros anos, ele relata:

“Sempre me interessei pelo problema universitário. Quando estudante e jornalista nos anos sessenta fui atuante no movimento estudantil que, na época, tinha a reforma universitária como uma de suas bandeiras. Nos jornais, dava cobertura a assuntos vinculados às universidades. Mas não pensava em me transformar em professor. Quando me desloquei para Paris, pela primeira vez, em 1966, para fazer um curso de pós-graduação, não busquei uma titulação ou um curso que me preparasse para a vida universitária. Minha intenção era a de obter um aperfeiçoamento profissional que pudesse me servir quando de meu retorno ao Brasil, no campo jornalístico”.

No entanto, de volta ao Brasil, em 1969, pelo fato de ter-se pós-graduado na França, Dias começou a receber convites para proferir palestras e participar de encontros e discussões sobre comunicação. No mesmo ano, foi convidado por professores e alunos da faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) para ministrar um curso de aperfeiçoamento de 30 horas. O curso revê grande participação e despertou entusiasmo. Resultado: em março de 1970, Dias aceitou o convite do então Reitor Caio Benjamin Dias para integrar o quadro de professores da UnB. Entrava assim, sorrateira, a vida acadêmica na carreira do repórter dos primeiros anos.

Dias conta que os primeiros cursos que ministrou na UnB, em 1970, tinham forte influência dos estudos, leituras e observações que teve em Paris, embora reconheça que sua formação filosófica tenha outro berço: o Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio de Janeiro. Foi no seminário, entre 1956 e 1958, que o futuro jornalista ficaria marcado pelo pensamento humanista de filósofos como Jacques Maritain (um dos fundadores da UNESCO, onde Dias viria a trabalhar anos mais tarde). Maritain exprimia a necessidade de um ideal histórico, algo que viria ser interpretado, por estudantes como Dias, como a necessidade de cada país dispor de um projeto de nação como condição prévia para a construção de uma sociedade mais justa.

Se a base filosófica de Marco Antonio Dias teve lugar no seminário, o método de trabalho ele aprendeu nos quadros da Juventude Universitária Católica (JUC) na Belo Horizonte dos anos 60. O movimento utilizava um método bastante simples, criado pelo fundador da Juventude Operária Católica (JOC), o padre Cardin, um belga que defendia o lema “ver, julgar e agir”. Segundo ele, toda ação deveria ser precedida de um diagnóstico baseado na observação dos fatos; o ponto de partida é sempre o real, sem se limitar a reflexões abstratas. Uma década mais tarde, essa visão seria aprimorada pelo próprio Dias com mais clareza e profundidade.

Em 1972, a Revista Brasileira de Teleducação (órgão da Associação Brasileira de Teleducação), em seu número 1, publicou um trabalho assinado por Dias, o qual havia sido utilizado em conferências em Belo Horizonte em 1969 e no curso de aperfeiçoamento que ele ministrara na UnB no segundo semestre do mesmo ano. No artigo, Dias afirmava que as pesquisas em comunicação tinham sido marcadas pelo empirismo e estimuladas por grupos que desejavam respostas imediatas para problemas imediatos. Faltava, na visão do professor, uma teoria geral que orientasse esses trabalhos. No mesmo artigo, Dias dizia que Paul Lazarsfeld, em uma conferência que ele assistira na Sorbonne, em 1966, distinguia a sociologia da ação da sociologia da evolução. A primeira, dizia o trabalho, trata do problema em sua forma mais diretamente apreensível, colocando questões que repercutem em curto prazo. Preocupa-se com os efeitos imediatos, desejados e premeditados pelos autores da mensagem. A segunda, a sociologia da evolução, mantém a atenção sobre os fenômenos complexos e sobre a repercussão deles em longo prazo, fenômenos muitas vezes inesperados e mesmo desconhecidos. Dias alinhava-se  – “ainda que baseado em dados da realidade” – nessa segunda corrente dominante na Europa, ao contrário da primeira, apanágio de setores intelectuais norte-americanos.

Ainda a esse respeito, Dias revela: “No jornalismo, na universidade, na UNESCO, sempre desenvolvi um sentido crítico, partindo da realidade, analisando dentro de um marco teórico definido e buscando sempre conclusões para uma ação que vise a melhorar as instituições e, por meio delas, a sociedade.”

A chefia do departamento de Comunicação da UnB caiu nas mãos de Marco Antonio Dias quase por acidente três dias depois de haver ingressado na universidade. Uma vez eleito, Dias não perdeu tempo. Reestruturou o curso e, enquanto lecionava, promovia atividades que davam destaque ao curso e aos estudantes de comunicação. Uma das idéias surgidas nessa época é popular até os dias de hoje: a interdisciplinaridade. Foram lançados programas que combinavam educação e comunicação muito antes de virem à tona termos como “educomunicação” ou “educomunicador”, tão em voga hoje em dia.

Idéias Excêntricas

A idéia de interdisciplinaridade foi levada tão a sério que o departamento de comunicação chegou a relacionar-se com o departamento de engenharia elétrica da UnB. Já naquela época, Dias e sua equipe consideravam que o desenvolvimento da comunicação social exigia conhecer pelo menos o potencial das tecnologias que deveriam ser dominadas. Ideais aparentemente excêntricas como essa, conjugadas com outras mais ortodoxas – como o estabelecimento de convênios com empresas para a realização de estágios, de contatos com embaixadas com fins de intercâmbio cultural e de aperfeiçoamento de professores, etc. – contribuíram sobremaneira para o êxito da administração de Marco Antonio Dias no departamento de comunicação da UnB.

Assim foi que, em 1972, ao ser nomeado decano de extensão da UnB, em função do trabalho desenvolvido no curso de comunicação, o departamento de comunicação preparava-se para lançar seu mestrado – “o que foi feito sob a gestão de meu sucessor, José Salomão David Amorim”, recorda-se Dias, que continuou a lecionar até assumir a cadeira de decano na Reitoria da UnB. Ao longo da década de 70, esteve também presente em uma série de atividades universitárias, entre elas como membro da Congregação da Carreira do Curso de Comunicação e como presidente da Comissão de Criação do Curso de Relações Internacionais, o primeiro a ser implantado no Brasil.

Entre 1976 e 1980, Professor Marco Antonio Dias ocupou o cargo de vice-reitor da UnB. Segundo ele, “período negro da história brasileira e o período mais difícil de minha vida”. Certamente. Naqueles anos, o Brasil vivia ainda sob o manto espesso da ditadura militar, e não havia eleições diretas para reitores. Muitos professores da UnB foram cassados e buscaram auto-exílio por causa da perseguição política. Para muitos, 1968 era um ano que, de fato, ainda estava por terminar.

É muito difícil sintetizar o que ocorreu nos anos 70 nessa área (de implantação de políticas de comunicação) no mundo e no Brasil em particular: O tema, além do mais, era polêmico. No início dos anos 70, dois professores finlandeses, Tapio Varis e Karl Nordenstrang, elaboraram um estudo para a Unesco, mostrando, com dados precisos, que a comunicação, no mundo, funcionava em sentido único. As conclusões dos estudos eram claras. Quem controlava a comunicação dispunha de um poder impressionante. Tomei conhecimento do estudo e com ele identifiquei-me, pois era essa também uma das conclusões de meu trabalho sobre o controle social da imprensa brasileira”.

Segundo Dias, esse tema dominou o debate na segunda metade dos anos 70 e a primeira dos anos 80. A Unesco chegou a desenvolver uma linha de ação nesse campo ao organizar uma série de reuniões regionais para definir políticas de comunicação que visavam à quebra do monopólio nessa área. A reação dói tão grande que, na opinião do jornalista, talvez tenha sido a responsável pela substituição do então diretor-geral da Unesco, o senegalês Amadou M. M’Bown, e pela saída dos Estados Unidos da Organização, à qual ainda não se reintegraram. Dos anos 70, Marco Antonio também tem episódios marcantes a contar:

“No Brasil, fui um dos promotores da idéia (fim dos monopólios de comunicação) que provocou situações que até poderiam ser consideradas divertidas. Enquanto grupos ultra-reacionários solicitavam a minha cabeça, três ministros – Ney Braga, Euro Brandão e Euclides Quandt – solicitavam minha assessoria para tomar certas decisões e fazer pronunciamentos. Um dia, em 1977, o ministro (das Comunicações) Quandt de Oliveira, oficial da Marinha, homem profundamente correto e nacionalista, fez um discurso em uma faculdade de comunicação em São Paulo que provocou a ira da imprensa conservadora e deixou perplexos os representantes da esquerda brasileira, em particular os articulistas do jornal Opinião. Data daí a criação da Radiobrás, com uma programação em que, por exemplo, o destaque era todo para a música popular brasileira. Data daí a decisão conjunta do MEC e do Ministério das Comunicações de reservar centenas de canais de rádio e de televisão para a educação. Foi nesta época que se apoiou o desenvolvimento de um sistema de televisão educativa no país. Alguns colegas, professores universitários, criticaram a filosofia das políticas de comunicação, dizendo que era apoiada por países ditatoriais. Não há dúvida de que a então União Soviética e certas ditaduras africanas tentaram se aproveitar do movimento para fustigar o imperialismo norte-americano ou para justificar suas ações. Era uma manipulação que não é privilégio dos norte-americanos. Mas, no caso brasileiro, pensávamos nós, era um instrumento para abrir o sistema. E creio que tínhamos razão. Os argumentos contrários à política de comunicação eram os utilizados pelos detentores do monopólio principalmente nos Estados Unidos. Sem o saber, certos colegas serviram de cadeia retransmissora dessa posição monopolista”.

O currículo de Marco Antonio Dias não deixa dúvidas quanto à guinada na carreira: de jornalista a professor e de professor a especialista em educação superior. A vida acadêmica deu-lhe oportunidade de diversificar e aprofundar conhecimentos, sobretudo quando lecionava no departamento de comunicação da Universidade de Brasília. Foi professor de disciplinas como Produção e Emissão de Rádio, Ciência da Comunicação, Jornalismo Comparado, Políticas da Comunicação e, para alunos de mestrado, de Problemas Especiais em Comunicação.

Paralelamente, participou, como professor, em diversos cursos, congressos, conferências e seminários no Brasil e no exterior. Como resultado, ingressou em várias entidades e associações, entre as quais se destaca o Instituto Internacional de Comunicações, com sede em Londres, que reúne órgãos governamentais, de comunicação e pesquisadores universitários.

A experiência acadêmica e de consultoria aproximava aos poucos o professor Dias da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Em 1976, a Unesco publicou um trabalho de três autores de diversas regiões do mundo sobre comunicação. Marco Antonio era um deles. Nessa época, em função dos trabalhos já desenvolvidos nessa área, Dias foi convidado para reuniões nos Estados Unidos, Canadá, Irã, Israel e Equador, onde chegou a ministrar um curso em Quito. Data do mesmo período a reunião da Unesco em Washington, da qual Dias participou, para estudar a criação do Programa Internacional para o desenvolvimento da Comunicação.

Carreira Internacional

A trajetória de Marco Antonio dias parece estar curiosamente dividida por décadas. Nos anos 60, dedicou-se prioritariamente ao exercício do jornalismo diário. Nos anos 70, entregou-se de corpo e alma à vida acadêmica – seus onze anos em Brasília são marcas indeléveis desse período. A década de 80 foi marcada por seu ingresso e atuação na Unesco. Infância no Rio de Janeiro, juventude em Minas Gerais e maturidade em Brasília. Mas a passagem pela França – sobretudo pela Paris do fim dos anos 60, o “Maio de 68” – e as várias participações em eventos no estrangeiro, pareciam prenunciar uma vocação para a carreira internacional. O jornalista pragmático, o pensador que partia sempre da observação da realidade concreta e o professor altamente politizado estavam prontos para assumir compromissos demais amplo alcance.

Apesar de enfrentar alguma resistência, por ser nativo de um país em desenvolvimento e distante dos grandes centros decisórios do mundo, Dias foi nomeado Diretor da Divisão de Ensino da Unesco em outubro de 1981. O brasileiro contava com o apoio do Diretor Geral da Organização, também oriundo de um país “periférico”, o senegalês M. M’Bow, Dias permaneceria no cargo até aposentar-se em fevereiro de 1999, depois de quase vinte anos dedicados às políticas mundiais de educação superior.

A Divisão de Ensino Superior da Unesco era integrada por diversas seções: Ensino Superior, Formação de Professores, Pesquisa e Inovações Educacionais. Na função de diretor da divisão, Dias teve oportunidade de conhecer e compreender melhor o sistema universitário em nível mundial. Supervisionou os Centros Regionais para o Ensino Superior na América Latina e no Caribe – CRESALC, em Caracas, Venezuela – e o Centro Europeu para o Ensino Superior – Cepes, em Bucareste, Romênia. Foi coordenador geral da atividades de educação superior nos escritórios regionais da Unesco em Dakar, Senegal (África); Bangkok, Tailândia (Ásia e Pacífico); e Beirute, Líbano (Estados árabes).

Representante da Unesco, entre 1983 e 1998, junto ao Conselho da Universidade das Nações Unidas (sediada em Tóquio), Dias também representou a Organização, durante vários anos, junto ao Conselho da Universidade para a Paz, em Costa Rica, e junto ao Conselho da Universidade de Paris XIII, entre 1983 e 1989. A visão interdisciplinar certamente contribuiu para o trabalho de Dias como coordenador de ações e programas conjuntos da Unesco e diversos outros organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), organização Internacional do trabalho (OIT), Organização Mundial da Saúde (OMS) e a própria Universidade das Nações Unidas (UNU), além de organizações não-governamentais especializadas ou interessadas no ensino superior.

Dias foi também o principal organizador da Conferência Mundial sobre Ensino Superior, patrocinada pela Unesco, que reuniu em Paris, em outubro de 1988, quase cinco mil participantes, de mais de 180 países. Cento e vinte e cinco ministros presidiram delegações oficiais. O resultado da conferência resultou em um compêndio com as principais diretrizes para a educação superior no século 21.

A aposentadoria da Unesco, em 1999, representou apenas mais um pretexto para Dias continuar a trabalhar. Atualmente, é assessor permanente da UNU para tudo o que se refere ao seguimento da Conferência Mundial sobre Ensino Superior. Além disso, incumbe-se de organizar redes universitárias e introduzir a educação nos programas da Universidade. Presta ainda assessoria à Universidade Politécnica de Barcelona, sede do Fórum Unesco/UNU para o seguimento da mesma Conferência. Paralelamente, coordena a preparação de um projeto de formação de docentes das primeiras quatro séries do ciclo básico, combinando o ensino virtual com o presencial, dentro do quadro do programa Anchieta de Cooperação Interuniversitária (de formação de professores na América Latina), lançado pela Universidad de las Palmas, das Gran Canárias. Desde outubro de 2000, é também diretor de relações institucionais da Fundação Universitária Ibero-americana (FUNIBER), com sede em Barcelona. Tudo isso ele concilia com palestras, congressos, seminários e reuniões em diversas partes do mundo.

No dia 26 de novembro de 1999, já aposentado pela Unesco, Dias recebeu uma grande homenagem em Paris. Foi condecorado com o título de Cavaleiro da Legião de Honra da França. Em seu discurso de agradecimento, Dias alinhava os principais momentos de sua trajetória e reúne as duas pontas de um mesmo fio. Brasileiro descendente de franceses, Dias é hoje avô de franceses legítimos. Da Europa, mais precisamente da França, antepassados de Dias chegaram á Bahia. Descendentes deles aportaram no Rio de Janeiro, onde Dias nasceu nos idos de 1940. Jovem sequioso de novas experiências, apaixonou-se por Minas e por uma mineira, com quem se casou. Mais tarde, fixou-se por toda uma década na mais jovem capital do mundo, Brasília. Do Planalto Central, voltou à terra dos antepassados franceses para viver por mais duas décadas. Hoje cidadão do mundo, Dias não pára. Encontrá-lo é quase um milagre que se pode atribuir à Internet.

O humanista Dias reúne hoje, também no campo teórico, as duas pontas de um mesmo fio. Em 1994, convidado a escrever um prólogo de um livro sobre pesquisa qualitativa, Dias aproveitou para, de certa forma, reconciliar-se com aqueles que sempre ocuparam posição oposta à sua. Voltou a mencionar o dilema entre métodos quantitativos (próprios da sociologia da ação) e os qualitativos (específicos da sociologia da evolução), mas ponderou, com inegável maturidade: “Na verdade, o senso comum determina que a combinação dos dois métodos ou técnicas é a melhor maneira de enfrentar os problemas da sociedade, principalmente quando se tem a intenção de analisar a realidade para melhorá-la”

Sobre esse prólogo, Dias fez, recentemente, um comentário que muito bem se encaixa para a conclusão de seu perfil e da apreensão da imagem que hoje se pode ter dele:

“Confesso que não sei se com sucesso, mas, em meus trabalhos, tento fazer essa síntese. É verdade que, agora, no outono da vida, sinto necessidade de refrear um pouco mais o movimento, diminuir a ação, para concentrar-me um pouco mais na reflexão. Mas, de qualquer forma, será uma reflexão baseada sempre na observação e no acompanhamento da realidade, iluminada, então, por uma concepção talvez utópica do que deve ser a sociedade e para onde deve marchar a humanidade: uma sociedade mais livre, mais justa, mais solidária.”

Bibliografia

Towards a Worldwide Plano f Action for the Reform of Higher Education – Capítulo do livro The Universities Responsibilities to Society – International Perspectives, páginas 51 a 62, Pergamon, Guy Neave, 2000.

Introdução e discurso na Conferência Mundial de Educação – partes do livro Tendências da Educação Superior para o Século XXI, Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), páginas 9 a 11 (Introdução) e 56 a 58 (discurso), CRUB/Unesco, 1999.

La Teoilogia del Mercado em la Globalización de la Educación Superior – Capítulo do livro La Universidad hacia el Siglo XXI – Cumbre Iberoamericana de Rectores de Universidades Estatales, páginas 259 a 291, Santiago, 1999.

O Fato e a Versão do Fato – Um Jornalista nos Anos 60, Belo Horizonte: PUC-MG, 1994.

Política de Comunicação no Brasil – Capítulo do livro Meios de Comunicação: realidade e Mito, páginas 252 a 273, Werthein, JORGE, (org.), São Paulo: Ed. Nacional, 1979.

Comunicação: Dependência ou Desenvolvimento? – Artigo publicado na revista Tecnologia Educacional, ano VI, nº 16, Rio de Janeiro, sem data.

La Educación Superior para la Paz em uma Perspectiva Internacional – Capítulo do livro La Educación Superior em el Siglo XXI – Visión y Acción para uma Agenda Estratégica: uma Contribuición desde Honduras, Manuel Bernales Alvarado, Honduras, sem data.

Lê Controle Social dans la Presse Brésilienne – Dissertação de pós-graduação no Instituto Francês de Imprensa e de Ciências da Informação, Université de Paris, Paris: 1968.

Luciano Milhomem, 33 anos, é jornalista formado pela Universidade de Brasília, onde também obteve o título de Mestre em Comunicação. Atual assessor de comunicação da Unesco no Brasil, foi repórter, coordenador e subeditor de Cultura do Correio Braziliense. Foi também assessor de comunicação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC). É professor do curso de Jornalismo do UniCEUB.

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